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"A religião é parte da vida de um povo.

 

 

 Dizem os estudiosos que a palavra “religião” vem do verbo latino “religare”, que significa “amarrar”, “ligar”. Partindo dessa afirmação, observa-se que toda religião é formada por mitos, ritos, festas, símbolos, etc. - que, entre outras coisas, exercem a função de “amarrar” e de “ligar” o que realmente é importante na vida do ser humano

O Candomblé, religião dogmática, de origem africana, não foge a regra. Nesta religião acredita-se que a natureza é o santuário de Deus, e ainda, que forças misteriosas que fogem ao controle humano estão escondidas nas matas, no mar, no trovão, no sol, na lua e que se reverenciadas podem se transformar em proteção e amparo. As divindades do candomblé ocupam um lugar próprio e diferem dos humanos por sua força e poder e pelo domínio que exercem sobre a realidade das coisas desse mundo"(...)

  

(...) "O Candomblé só resiste ainda, (apesar do massacre da escravidão e do impacto sofrido pelo negro africano que foi retirado do seu mundo cultural e religioso para viver no mundo cultural e religioso de seu dominador), graças à persistência e fé do negro, que teve que disfarçar suas expressões religiosas dentro do cerimonial católico (que lhe foi imposto), por meio do sincretismo, disfarçando seus orixás (que representam as forças da natureza cultuadas na África) entre os santos católicos (santos cultuados e impostos a nós pela cultura do ocidente).

    Em suma, é mister frisar, que antes de se tecer críticas com relação aos fundamentos do candomblé e/ou cultos de origem indígenas, se procure conhecer primeiro suas raízes, que também são as raízes do povo brasileiro adquiridas dos nossos ancestrais de matrizes africanas e ameríndias."

 

 

Mara Sílvia Jucá Acácio é Professora do Curso de Letras do DLLT/CCSE/ UEPA, Mestranda em Línguística pela UFPa e Presidente do Instituto Alvorecer.